O uso de inteligência artificial na produção de materiais didáticos por docentes

Daniervelin Renata Marques Pereira, professora da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.

Elaine Teixeira da Silva, doutoranda da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Brasil.

Logo periódico Texto Livre (TL)O artigo Evidências sobre Inteligência Artificial e materiais instrucionais na educação: uma revisão de escopo, publicado no periódico Texto Livre: Linguagem e Tecnologia (vol. 19, 2026) apresenta uma pesquisa para verificar as implicações e tendências de usos das ferramentas de Inteligência artificial (IA) na educação. A seleção do corpus da pesquisa envolveu dois bancos de dados, Scopus e Dimensions, e contou com 28 estudos publicados em 18 países.

Com relação às implicações, constatou-se que personalizar, otimizar e adaptar o material didático são as ações mais usadas, bem como a otimização do tempo, outro fator que contribui para o uso das ferramentas de IA, pois faz-se em menos tempo o que um professor levaria horas ou dias para preparar; além de melhorar o engajamento discente. Em relação às tendências, há uma ampla tipologia usada, sendo os mais frequentes os materiais instrucionais, planos de aula, textos para leitura e interpretação, exercícios de lacunas além de questões discursivas e objetivas. O ChatGPT foi a ferramenta mais utilizada, além do Gemini e o Co-Pilot.

A análise de Thiago Rodrigues Flores, Valesca Brasil Irala e Sandra Dutra Piovesan, professores do Programa de Pós-Graduação em Ensino da Universidade Federal do Pampa, de viés qualitativo e de revisão de escopo, propôs verificar como as inteligências artificiais têm sido usadas por professores de diferentes áreas do conhecimento, em específico os da área da Humanidades por compor o corpus dos artigos analisados, na geração de materiais educacionais.

Para isso, os autores propuseram etapas metodológicas da pesquisa, sendo a primeira a definição de uma pergunta norteadora para o estudo (“Quais são as evidências disponíveis sobre o uso da inteligência artificial no desenvolvimento e na eficácia de materiais instrucionais em contextos educacionais?”), seguindo para a definição de palavras-chave para buscar artigos que se relacionassem ao questionamento, dando ênfase a trabalhos que destacassem o uso de IA na elaboração de materiais didáticos. Os trabalhos analisados ainda foram organizados segundo suas motivações e implicações educacionais. Nos objetivos, a maioria demonstrou foco na customização de recursos pedagógicos com apoio da inteligência artificial. Quanto às implicações, a ênfase se deu na melhoria da aprendizagem e engajamento do aluno.

 

 

Os resultados apresentados indicam a predominância de uma abordagem centrada no aluno, devido à grande possibilidade de personalização das IAs na geração de materiais didáticos por professores. Por outro lado, o estudo aponta a necessidade de ampliar as investigações sobre a perspectiva docente, os desafios institucionais e os aspectos sistêmicos da implementação da inteligência artificial no desenvolvimento de materiais didáticos.

Nas palavras dos autores: “Isso significa que a IA e as pesquisas que recentemente derivam de seu uso nesse campo tendem a investir na compreensão positiva desse processo, com menos atenção aos desdobramentos institucionais, mas claramente mais direcionadas aos benefícios individuais que lhe são decorrentes (sem muita atenção aos seus efeitos sociais)” (p. 9). Um fator destacado pelos autores diz respeito à terminologia “materiais didáticos”, visto que há indícios de outros termos, como “material de ensino”, “material instrucional”, entre outros, e a sua definição, sendo esse um eixo esperado em investigações futuras.

O estudo realizado deixa questões para futuras pesquisas: as discussões éticas, formativas e estruturais sobre o uso de IA; a necessidade de formação docente para o letramento digital crítico e para evitar o risco de dependência tecnológica. Nessa mesma perspectiva, o trabalho de Sartor-Harada e Ulloa-Guerra (2026) aponta para a necessidade urgente de oportunidades de desenvolvimento profissional que promovam a alfabetização algorítmica crítica, e não apenas a proficiência na ferramenta.

Para ler o artigo, acesse

FLORES, T.R., IRALA, V.B. and PIOVESAN, S. Evidências sobre Inteligência Artificial e materiais instrucionais na educação: uma revisão de escopo. Texto Livre [online]. 2026, vol. 19, e60769 [viewed 24 April 2026]. https://doi.org/10.1590/1983-3652.2026.60769. Available from: https://www.scielo.br/j/tl/a/4wj4pF3hsmZRCgDdTNfGnFf/

Referências

SARTOR-HARADA, A. and ULLOA-GUERRA, O. Teachers and Artificial Intelligence: uses and training needs in Latin American higher education. Texto Livre [online]. 2026, vol. 19, e61543. [viewed 24 April 2026]. https://doi.org/10.1590/1983-3652.2026.61543. Available from: https://periodicos.ufmg.br/index.php/textolivre/article/view/61543.

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Como citar este post [ISO 690/2010]:

PEREIRA, D.R.M. and SILVA, E.T. O uso de inteligência artificial na produção de materiais didáticos por docentes [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2026 [viewed ]. Available from: https://humanas.blog.scielo.org/blog/2026/04/24/o-uso-de-inteligencia-artificial-na-producao-de-materiais-didaticos-por-docentes/

 

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