Inovação e Empreendedorismo — impactos na mobilidade urbana

Gilberto Perez, Editor-chefe da Revista de Administração Mackenzie – RAM, São Paulo, SP, Brasil.

Vitória Batista Santos Silva, Suporte técnico da Revista de Administração Mackenzie – RAM, São Paulo, SP, Brasil.

O artigo “Abrindo caixas-pretas das inovações disruptivas: controvérsias envolvendo a Uber em Belo Horizonte”, de Vieira et al. (2020), publicado no periódico RAM. Revista de Administração Mackenzie (vol. 21, no. 3), tem como principal objetivo buscar compreensão a respeito da inserção do aplicativo Uber na mobilidade urbana da cidade de Belo Horizonte, capital mineira. Para tanto, é utilizada a Teoria do Ator-Rede (TAR), considerando as pesquisas de Callon (1986) e Latour (2012), e que no referido contexto possibilita interpretar a inovação como algo que causa impactos socais e técnicos, ressaltando a característica disruptiva destacada no título. A cartografia é o método utilizado nesse estudo, considerando como fontes de dados postagens em redes sociais, informações de jornais, revistas, entre outros, divulgadas no período entre dezembro de 2014 e julho de 2017. Os resultados indicam que foram identificadas controvérsias sobre as características do aplicativo, além de não ter havido uma estabilização do arranjo sociotécnico da Uber na cidade.

Os aplicativos da chamada economia compartilhada são algumas das tentativas recentes e em grande parte bem-sucedidas no campo da inovação e do empreendedorismo. É preciso ter em mente que quando se fala a respeito de inovação, muitos associam esse conceito em um primeiro momento à teoria da destruição criativa, desenvolvida pelo economista Joseph Schumpeter, um dos grandes teóricos do século XX. Em resumo, a inovação inicialmente foi interpretada como um processo que tinha seu ponto de partida em uma ideia por parte da figura do empresário empreendedor, que poderia ser concretizada amparada no crédito obtido, possibilitando a introdução da inovação em determinado mercado, o que resultaria em uma atração dos lucros para este empreendedor. Na sequência era observado um processo de imitação, chamando a atenção de outros empresários com a intenção de ampliar seus lucros, até que estes retornem ao seu patamar de distribuição inicial, isto é, ao chamado estado estacionário (SCHUMPETER, 1982).

Ao considerar que a inovação é uma combinação de fatores já existentes, conforme explicado por Schumpeter (1982), é possível observar na atualidade uma série de exemplos que buscam combinar tecnologias já existentes para facilitar alguns aspectos das interações humanas, tendo o empreendedor um papel central nesse cenário. O caso da Uber nada mais foi do que uma combinação de fatores já existentes, no caso, o serviço de transporte individual de passageiros e a tecnologia dos aplicativos, com a finalidade de viabilizar algo interessante aos usuários.

Dentre os resultados encontrados pela mencionada pesquisa, foram identificados alguns tipos de tecnologia, como é o caso da tecnologia do motorista que, embora ofereça um serviço mais rápido e a um preço mais justo, não há certeza sobre a segurança na prestação do serviço. Outro ponto destacado é a tecnologia em questões econômicas, uma vez que a demanda por carros populares por parte dos motoristas do aplicativo provocou um aumento dos preços dessa mercadoria. Além disso, é mencionada a adequação do serviço à mobilidade urbana, dado que em lugares menos seguros, por exemplo, há menos motoristas disponíveis.

Uma das considerações finais de Vieira et al. (2020) é que alguns dos entraves enfrentados pela Uber podem ser resultado da interação já existente entre os motoristas de táxi com atores ligados ao Estado, que foi utilizada como uma maneira de tentar driblar a concorrência trazida pelo novo serviço de transporte individual. Como sugestões de pesquisas futuras, são mencionados o estudo do papel do marketing para a disseminação de mercados, com foco na Uber, além de pesquisas com os usuários do Uber, com a finalidade de identificar como é composta a demanda pelo aplicativo, utilizando dados mais imersivos, conforme proposto por Latour (2012).

Referências

CALLON, M. Some elements of a sociology of translation: Domestication of the Scallops and the F ishermen of St Brieuc Bay. In: LAW, J. Power, action and belief: a new sociology of knowledge? London: Routledge, 1986.

LATOUR, B.  Reagregando o social: uma introdução à teoria do ator-rede. Salvador: EdUFBA, 2012.

SCHUMPETER, J.A. A teoria do desenvolvimento econômico: uma investigação sobre lucros, capital, crédito, juro e o ciclo econômico. São Paulo: Abril, 1982.

Para ler o artigo, acesse

VIEIRA, K.C., et al. Abrindo caixas-pretas das inovações disruptivas: controvérsias envolvendo a Uber em Belo Horizonte. RAM, Rev. Adm. Mackenzie [online]. 2020, vol. 21, no. 3, eRAMR200018. ISSN: 1678-6971 [viewed 22 June 2020]. DOI: 10.1590/1678-6971/eramr200018. Avaliable from: http://ref.scielo.org/jwy9qf

Links externos

RAM. Revista de Administração Mackenzie – RAM: www.scielo.br/ram

https://www.mackenzie.br/pos-graduacao/mestrado-doutorado/sao-paulo-higienopolis/administracao-de-empresas/corpo-docente/

http://editorarevistas.mackenzie.br/index.php/RAM

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

PEREZ, G. and SILVA, V. B. S. Inovação e Empreendedorismo — impactos na mobilidade urbana [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2020 [viewed ]. Available from: https://humanas.blog.scielo.org/blog/2020/07/09/inovacao-e-empreendedorismo-impactos-na-mobilidade-urbana/

 

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