A participação infantil na Plenarinha (DF): ação social da criança em debate

Etienne Baldez Louzada Barbosa, Professora adjunta e do Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação, Universidade de Brasília, DF, Brasil.

Monique Aparecida Voltarelli, Professora adjunta e do Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação, Universidade de Brasília, DF, Brasil.

Imagem: Pixabay

O artigo “Participação das crianças em projeto político-social elaborado por adultos: a Plenarinha no Distrito Federal”, publicado no periódico Educação e Pesquisa (vol. 46), tem como intenção central a identificação de como as crianças foram consideradas na Plenarinha, que é um processo de escuta proposto pela Secretaria de Estado de Educação, que ocorre em instituições públicas de educação infantil, em Brasília.  Escutar a criança é algo que parece cotidiano, ainda mais quando se vive um crescimento do uso dos meios digitais pelos pequenos. Elas se comunicam, mesmo à distância, com familiares, coleguinhas, professoras e professores, enfim, considerando a situação pandêmica, os momentos de contato digital estão atingindo um número maior de crianças. Se há consenso de que a criança tem muito a dizer, a expressar, sendo importante o tempo que se dispõe para escutá-la de forma sensível e respeitosa, como realmente isso ocorre?

É pertinente destacar que realizar uma escuta qualificada é o grande desafio para os adultos que interagem diretamente com as crianças. E, mais do que isso, oportunizar que a fala e as proposições por elas engendradas virem uma ação ou uma política é o segundo grande embate. A lista de estudos que têm se voltado para a participação infantil é extensa e muito visitada por diferentes autores. Em síntese, as questões levantadas sobre como as crianças falam e são ouvidas em diferentes instâncias e temáticas sociais, nos permite retomar as possibilidades de participação ou de participação simbólica, elucidada por Hart (1992), ao pontuar que a participação é aprendida nos contextos em que são vividas. Além disso, para despertar o interesse em participar, as crianças precisam que suas ações sejam valorizadas, que “sua presença e participação tenham sentido, e que construam seu sentimento de pertença” (AGOSTINHO, 2014, p. 1138).

Nesse sentido, é possível apontar que A Plenarinha coloca-se como um dispositivo inovador em considerar as crianças como sujeitos de direitos e protagonistas de suas vidas e insiste no discurso de dar voz e vez a elas, todavia, por meio dos documentos oficiais, não é possível identificar as contribuições das crianças enquanto ações efetivas nas instituições de educação infantil do Distrito Federal. Os documentos publicados trazem a fala das crianças para reforçar hipóteses ou pontuar elementos que demonstram a participação, mas que foram selecionados pelos adultos, sem considerar e apontar os contextos em que as falas das crianças foram ditas, o que seria de grande contribuição para pensar as situações vivenciadas no momento de captação dos relatos infantis.

Por fim, enquanto recurso formativo para os professores, o documento parece cumprir o propósito de que os adultos aprendam a desenvolver uma escuta sensível das crianças, o que indica novamente que, se elas não ficam em segundo plano, também não estão no primeiro. A participação ocorre e se constrói com o tempo, demanda aprendizagem e aperfeiçoamento, conduzida por práticas de observação e escuta. E é exatamente neste tempo que se encontra o grande desafio para nós, adultos, imersos em rotinas aligeiradas pelo girar dos ponteiros de um relógio.

Referências

AGOSTINHO, K. A. A complexidade da participação das crianças na educação infantil. Perspectiva [online]., 2013, vol. 32, no. 3, p. 1127-1143, e-ISSN: 2175-795X [viewed 23 September 2020]. DOI: 10.5007/2175-795X.2014v32n3p1127. Available from: https://periodicos.ufsc.br/index.php/perspectiva/article/view/2175-795X.2014v32n3p1127

HART, R. Children’s participation: the theory and practice of involving young citizens in community development and environmental care. London: Earthscan, 1992.

Para ler o artigo, acesse

BARBOSA, E. B. L. and VOLTARELLI, M. A. Participação das crianças em projeto político-social elaborado por adultos: a Plenarinha no Distrito Federal. Educ. Pesqui. [online]. 2020, vol. 46, e236680, ISSN: 1678-4634 [viewed 23 September 2020]. DOI: 10.1590/s1678-4634202046236680. Available from: http://ref.scielo.org/6vq9dw

Links externos

Educação e Pesquisa – EP: www.scielo.br/ep

http://www.educacaoepesquisa.fe.usp.br/

Sobre a Plenarinha da Educação Infantil do Distrito Federal ver:

Programa DF Criança. Plenarinha de Educação Infantil. Disponível em: http://www.criancacandanga.df.gov.br/plenarinha-de-educacao-infantil/

SEEDF. Programa Educação Infantil: http://www.educacao.df.gov.br/plenarinha/

Página institucional – Etienne Baldez Louzada Barbosa: http://fe.unb.br/index.php/docentes-mtc/81-etienne-baldez-louzada-barbosa

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

BARBOSA, E. B. L. and VOLTARELLI, M. A. A participação infantil na Plenarinha (DF): ação social da criança em debate [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2020 [viewed ]. Available from: https://humanas.blog.scielo.org/blog/2020/10/08/a-participacao-infantil-na-plenarinha-df-acao-social-da-crianca-em-debate/

 

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