Psicologia no SAMU: um relato de experiência

Anna Thallita de Araujo, Psicologia: Ciência e Profissão, Estagiária, Brasília, DF, Brasil

Thayse Dantas, Analista técnica, gerência técnica do Conselho Federal de Psicologia, Brasília, DF, Brasil

pcp_logoKatie Moraes Almondes, Maísa de Oliveira Meira e Eleni de Araújo Sales apresentam o relato de experiência “Serviço de psicologia no SAMU: campo de atuação em desenvolvimento” destacado no periódico Psicologia: Ciência e Profissão, volume 36, número 2, do Conselho Federal de Psicologia. O manuscrito relata a experiência de uma professora do departamento de psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e duas psicólogas e discentes de um curso de especialização da mesma Universidade, voluntárias no SAMU 192 Rio Grande do Norte, com atenção psicológica voltada para várias demandas relacionadas a esse contexto de atendimento.

O estudo apresenta uma parceria feita entre a Secretaria de Saúde do Estado do RN e a UFRN, com o intuito de inserir a Psicologia no SAMU. Essa parceria surgiu com a proposta de acolher a equipe de profissionais em razão da atuação na urgência e emergência e, posteriormente, atendimentos às vítimas e aos familiares. As autoras destacam que o serviço chegou ao Brasil por volta de 1980, mas expandiu em âmbito nacional em 2003 (Costa et al., 2012). Já no Rio Grande do Norte, foi inaugurado em 2006 e abrange 29 municípios do estado e as principais rodovias. Os atendimentos do SAMU são voltados para o contexto pré-hospitalar, para a população com agravo à saúde de maneira rápida e precoce. Os serviços podem ser por meio das Unidades de Suporte Básico ou Unidades de Suporte Avançado, em que a primeira é tripulada por um técnico de enfermagem e um condutor socorrista sem técnicas invasivas, e a segunda, também comporta os mesmos profissionais, porém inclui um médico, com procedimentos mais complexos, destinados às situações mais graves. As situações podem ser de caráter de urgência e emergência, diferenciando-se de acordo com a situação crítica e complexa em que cada vítima apresenta (Conselho Federal de Medicina, 1995).

O trabalho iniciou com atenção voltada à equipe de profissionais, por meio de palestras e rodas de conversa, abrangendo a temática de situações de urgência no contexto pré-hospitalar, e psicoeducação sobre a proposta da psicologia. O aumento da procura levou ao crescimento do serviço com a inserção de estagiários do 4º ano de psicologia da respectiva Universidade. Em decorrência, foi implantada a segunda proposta, com a presença de estagiários do 5º ano de psicologia nas ambulâncias, com o intuito de oferecer os primeiros atendimentos às vítimas e familiares, em Unidades Básicas e Avançadas. Foram feitas intervenções às vítimas conscientes e em condições de se comunicar verbalmente, com técnicas de manejo do estresse, para o controle da experiência traumática. Enquanto a vítima era imobilizada pela equipe, o estagiário coletava informações com a família e comunidade, a fim de manter a vítima informada sobre o ocorrido, se teve entes queridos feridos, se os pertences estavam guardados, sobre a sua condução ao hospital e demais informações relevantes.

Quanto à intervenção com os familiares, o estagiário utilizava técnicas de supressão de ansiedade, para que a família pudesse se tornar um agente facilitador do processo.

Além das intervenções com a equipe, vítimas e familiares, os estagiários de psicologia também tinham um olhar voltado para a comunidade de maneira interativa. A fim de tornar a comunidade como aliada nesse processo interventivo, em situações em que os acidentes ocorriam em locais públicos, os estagiários tentavam obter informações sobre o ocorrido, se alguém fez contato com a família, sobre a possibilidade de terem guardado os pertences da vítima.

Por fim, as autoras concluem que a inserção da Psicologia no SAMU RN foi considerada importante pelos profissionais e pela coordenação do serviço, em razão dos atendimentos e suporte psicológico relacionado ao contexto de trabalho que eles vivenciam. Também se mostrou relevante por ter sido agente facilitador entre profissionais/vítima/família/comunidade e pelo trabalho de acolhimento nas viaturas.

Para ler os artigos, acesse

ALMONDES, K. M., SALES, E. A. and MEIRA, M. O. Serviço de Psicologia no SAMU: Campo de Atuação em Desenvolvimento. Psicol. cienc. prof. [online]. 2016, vol.36, n.2, pp.449-457. [viewed 05th August 2016]. ISSN 1414-9893. DOI: 10.1590/1982-3703000992014. Available from: http://ref.scielo.org/9ht8zv

Conselho Federal de Medicina. (1995, 10 de março). Resolução CFM nº 1451/95. São Paulo: CFM. Recuperado em 30 de junho, 2014, de http://www.portalmedico.org.br/resolucoes/cfm/1995/1451_1995.htm

Costa, I. K. F., Farias, G. M., Gurgel, A. K. C., Rocha, K. D. M. M., Freitas, M. C. S., & Souza, A. A. M. (2012). Conhecimento da equipe de enfermagem de um serviço de atendimento móvel sobre precaução padrão. Cogitare Enfermagem, 17(1), 85-90. Recuperado de http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs/index.php/cogitare/article/viewFile/26379/17572

Link externo

Psicologia: Ciência e Profissão: http://www.scielo.br/pcp

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

ARAUJO, A. T. de., DANTAS, T. Psicologia no SAMU: um relato de experiência [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2016 [viewed ]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2016/08/05/psicologia-no-samu-um-relato-de-experiencia/

 

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Post Navigation