Qual a realidade dos idosos que vivem sozinhos no Brasil?

Ana Carolina Lima Cavaletti, assistente editorial, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Antunes e colaboradores da Faculdade de Saúde Pública da USP, destacam no artigo “Quem são e como vivem os idosos que moram sozinhos no Brasil”, publicado na Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia (RBGG, v. 21, n. 5) que estes idosos são em maioria mulheres, com mais de 75 anos, possuem renda baixa e vivem nas regiões Sul e Sudeste do país.

Os autores apontam que as mudanças nos arranjos domiciliares acompanharam o processo de envelhecimento na sociedade brasileira e destacam que a falta de apoio de um parente próximo pode prejudicar a saúde, sendo importante conhecer quais as condições desses idosos no país.

Participaram deste estudo 11.967 pessoas com 60 anos ou mais idade, entrevistadas na Pesquisa Nacional de Saúde realizada pelo Ministério da Saúde e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 2013. Destes, 15,3 vivem em domicílio unipessoal.

Estudo anterior afirma que morar sozinho pode ser uma oportunidade para o autoconhecimento e estreitar os laços sociais fora do ambiente doméstico (SIXSMITH et al., 2014).

Embora morar sozinho tenha seus atrativos, é preciso ter alguma força e capacidade física para levar uma vida independente. No estudo, os autores identificaram uma prevalência significantemente maior de perda auditiva (RP: 1,57; IC95%: 1,27-1,93) e de dificuldades auto referidas para executar atividades instrumentais da vida diária (RP: 1,15; IC95%: 1,04-1,28) nos idosos que moram sozinhos em comparação com os que moram com parentes ou outros. Assim, os autores destacam que a falta desses requisitos e, a ausência de arranjos familiares funcionais, sobrecarrega serviços sociais por cuidados de longo prazo e apoio aos idosos.

Os autores Antunes e colaboradores (2018) recomendam que estratégias de saúde considerem o fornecimento de serviços para substituir o apoio domiciliar ausente para os idosos solitários.

Esperamos que a leitura deste e dos demais artigos do número 5 de 2018 seja proveitosa e suscite reflexões sobre as opções de cuidados de longo prazo disponíveis no país, para quem estes serviços estão acessíveis e como são ofertados.

Referência

SIXSMITH, J. et al. Healthy ageing and home: the perspectives of very old people in five European countries. Soc Sci Med., v. 106, p. 1-9, 2014. ISSN: 0277-9536 [reviewed 21 October 2018]. DOI: 10.1016/j.socscimed.2014.01.006. Avaliable from: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0277953614000318

Para ler o artigo, acesse

NEGRINI, E. L. D., NASCIMENTO, C. F., SILVA, A. and ANTUNES, J. L. F. Elderly persons who live alone in Brazil and their lifestyle. Rev. bras. geriatr. gerontol. [online]. 2018, vol. 21, no. 5, pp.523-531. ISSN 1809-9823. [viewed 12 December 2018]. DOI: 10.1590/1981-22562018021.180101. Available from: http://ref.scielo.org/26mm8s 

Link externo

Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia – RBGG: www.scielo.br/rbgg

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

CAVALETTI, A. C. L. Qual a realidade dos idosos que vivem sozinhos no Brasil? [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2018 [viewed ]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2018/12/12/qual-a-realidade-dos-idosos-que-vivem-sozinhos-no-brasil/

 

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