Entrevista com Roberto Rafael Dias da Silva

Roberto Rafael Dias da Silva

Roberto Rafael Dias da Silva

Por Wilson Gambeta

A escola pública, pelo menos no ocidente, emergiu como uma ferramenta de estado destinada a publicizar o ideário de uma nação, delinear os vínculos identitários de seus frequentadores e projetar crenças e valores para o futuro. O estar e o viver nas cidades – a formação de cidadãos – efetivaram-se como uma das grandes metanarrativas pedagógicas da modernidade, ideário que ainda sustenta boa parte das pedagogias do nosso tempo. Esses são temas explorados por Roberto Dias da Silva em artigo recém-publicado.

Roberto Dias da Silva é mestre e doutor em Educação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, licenciado em Pedagogia pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul. Atualmente, é professor adjunto na área de Fundamentos da Educação na Universidade Federal da Fronteira Sul, campus Erechim, e professor do Programa de Pós-Graduação em Educação, atuando em Políticas Educacionais. Ele concedeu entrevista à equipe editorial do periódico Educação e Pesquisa.

1. De que forma o tema do artigo se situa nas suas pesquisas sobre as políticas de escolarização?

O artigo está situado em minha trajetória profissional, bem como em meus atuais interesses investigativos. Em parte, sua elaboração deriva-se de minha tese de doutorado – defendida na Unisinos, em 2011 – no qual examinei o processo de constituição da docência contemporânea no Ensino Médio em nosso país. Ao mesmo tempo, a temática do artigo dialoga com meus atuais estudos no Grupo de Pesquisa em Educação, Culturas e Políticas Contemporâneas e no recém-criado Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS).

2. Como o conceito de capitalismo cognitivo ingressou no escopo de suas investigações?

Com esse texto pretendi constituir um diagnóstico preliminar das políticas de escolarização e governamentalidade produzidas nas tramas políticas e econômicas do estágio atual do desenvolvimento capitalista. Partindo de uma revisão dos modos de constituição das políticas de escolarização produzidas pelo Estado Moderno, interessei-me – desde uma inspiração nos estudos foucaultianos produzidos no final da década de 1970 – em caracterizar as diferentes estratégias reguladoras dos processos de escolarização em massa, produzidos desde o século XVIII, e diagnosticar os múltiplos deslocamentos nessas pautas políticas na contemporaneidade. A partir de uma leitura sociológica, percebi algumas mudanças nos sentidos educacionais fabricados pela sociedade industrial, na direção de uma educação flexível e interativa. Após um processo de imersão teórica, indiquei que as condições do capitalismo cognitivo, tal como esse cenário tem sido nomeado pelos economistas neomarxistas italianos, sugeriam um cenário no qual o conhecimento assume o lugar de vetor das inovações e das dinâmicas produtivas, desestabilizando o modelo da fábrica e imaterializando as relações de trabalho.

3. Que consequências esse processo encaminha para as políticas de escolarização na contemporaneidade?

Segundo a leitura que tenho desenvolvido, as políticas de escolarização passam a ser movidas por tecnologias otimizadoras que privilegiam conduzir os sujeitos escolares a estágios elevados de desempenho, assim como propõem a qualificação de suas performances nas tramas do contemporâneo. Da forma como estou trabalhando, defendo que tal diagnóstico pode ser ponto de partida para ressignificarmos as pautas investigativas dos estudos críticos em educação.

4. Sobre a possibilidade de novos estudos críticos em educação, quais os atuais desdobramentos das suas pesquisas?

Atualmente coordeno dois projetos de pesquisa. Um deles pretende examinar as estratégias políticas que operam na regulação dos currículos escolares para o Ensino Médio. O outro projeto, que conta com financiamento do CNPq, analisa as concepções de conhecimento escolar que perfazem as atuais políticas de ampliação da jornada escolar. Em ambos os estudos, proponho-me a enfatizar o campo dos Estudos Curriculares, debruçando-me sobre as novas configurações de conhecimento escolar emergentes na “cultura do novo capitalismo”, usando um conceito de Richard Sennett.

 

Para ler o artigo, acesse:

SILVA, Roberto Rafael Dias da. Políticas de escolarização e governamentalidade nas tramas do capitalismo cognitivo: um diagnóstico preliminar. Educ. Pesqui. [online]. 2013, vol.39, n.3 [citado 2013-11-18], pp. 689-704. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-97022013000300009&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 1517-9702. http://dx.doi.org/10.1590/S1517-97022013000300009.

Link relacionado:

Educação e Pesquisa http://www.scielo.br/ep/

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

Entrevista com Roberto Rafael Dias da Silva [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2013 [viewed ]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2013/12/03/entrevista-com-roberto-rafael-dias-da-silva/

 

4 Thoughts on “Entrevista com Roberto Rafael Dias da Silva

  1. Há alguma informação sobre este assunto em outras línguas?

    • SciELO on January 8, 2014 at 15:38 said:

      Prezado senhor,
      No momento o conteúdo deste blog está disponível somente em português. Ainda não temos previsão de tradução para os outros idiomas.
      Atenciosamente,
      Equipe SciELO
      Blog de Humanas
      SciELO – Scientific Electronic Library Online

  2. há uma versão inglesa deste local?

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