Qual o papel da escola no uso da LIBRAS para educação de surdos?

Luiz Antônio Gomes Senna, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

A Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) é consagrada como língua natural da comunidade surda deste o século passado e, desde então, tem estado no centro das discussões sobre a sua cultura e identidade. Hoje, mais do que nunca, a LIBRAS ganha a visibilidade à medida que também se visibilizam as comunidades surdas, chegando à escola com garantias das políticas de educação especial inclusiva. No centro das preocupações que cercam a educação do surdo, figura a questão da sua alfabetização e do uso da língua escrita. Antes de se traçarem metodologias específicas ou adaptadas, há questões de natureza teórica que precisam ser exploradas ou revisitadas. Uma delas é a conceituação da LIBRAS como sistema de expressão natural.

Luiz Antonio Gomes Senna no artigo “O Estatuto Linguístico da Língua Brasileira de Sinais e a Superação do Estigma na Educação de Surdos”, publicado na Revista Brasileira de Educação Especial (v. 25, n. 2), analisa a natureza do estigma social ligado à surdez a partir da privação da palavra, baseando-se no fato de que vivemos em uma cultura na qual a fala é fortemente associada à identidade da espécie humana, assim como à imagem do sujeito escolar. O estudo ressalta a construção social desta relação entre palavra e identidade, desde os pontos de vista do sagrado e das tradições acadêmico-científicas. Tendo por foco a LIBRAS e o esforço acadêmico para legitimá-la como sistema de expressão natural, o estudo põe em foco o confronto entre duas tendências que prejudicam sua caracterização: a cultura da palavra e a cultura da superação, que muitas vezes regem as práticas de integração das pessoas com necessidades especiais (CASTRO, 2015).

O trabalho traz à luz a relevância dos estudos de natureza teórica no campo das ciências humanas, cujos objetos de pesquisa são, antes de tudo, conceitos, que não se dão à observação empírica. Segundo o autor, seu estudo contribui para o avanço dos estudos sobre a alfabetização do indivíduo surdo em sua integração à escola sem perda de identidade.

Referência

CASTRO, P. A. Tornar-se aluno ‒ identidade e pertencimento: perspectivas etnográficas. Campina Grande, PB: Ed. da UEPB, 2015.

Para ler o artigo, acesse

SENNA, L. A. G. O Estatuto Linguístico da Língua Brasileira de Sinais e a Superação do Estigma na Educação de Surdos. Rev. bras. educ. espec., v. 25, n. 3, p. 487-500, 2019. ISSN: 1413-6538 [viewed 19 september 2019].  DOI: 10.1590/s1413-65382519000300009. Available from: http://ref.scielo.org/nqp5hv

Link externo

Revista Brasileira de Educação Especial – RBEE: www.scielo.br/rbee

Grupo de pesquisa Linguagem, Cognição Humana e Processos Educacionais: www.gplinguagem.com.br

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

SENNA, L. A. G. Qual o papel da escola no uso da LIBRAS para educação de surdos? [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2019 [viewed ]. Available from: https://humanas.blog.scielo.org/blog/2019/10/17/qual-o-papel-da-escola-no-uso-da-libras-para-educacao-de-surdos/

 

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