Disciplina e motivação fazem a diferença na aprendizagem autorregulada

José Aloyseo Bzuneck, Professor titular na Universidade Estadual de Londrina (UEL), Londrina, PR, Brasil.

Imagem: Licenciado Pixabay

No artigo “Perfis de autorregulação da aprendizagem e motivação de estudantes universitários”, publicado no periódico Estudos de Psicologia (Campinas, vol. 37), um questionário do tipo Likert, construído para avaliar estratégias de aprendizagem e procrastinação, meta de realização domínio e metas extrínsecas e valorização da disciplina, foi aplicado a 212 universitários ingressantes. Pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina, tendo como referencial o modelo de aprendizagem autorregulada de Zimmerman (2013), identificaram nesses estudantes universitários ingressantes quatro grupos homogêneos, que se diferenciaram quanto ao engajamento pela aplicação de estratégias de aprendizagem. A avaliação das estratégias de aprendizagem seguiu a abordagem microanalítica (BENBENUTTY, 2011), pela qual as estratégias tinham referência a uma tarefa de produção de um texto de Filosofia, para cujo cumprimento incidiam exigências específicas. Identificou-se um grupo de estudantes altamente regulados, dadas as médias significativamente mais altas que os demais, em todas as estratégias de aprendizagem avaliadas. Já estudantes de outro grupo revelaram um padrão oposto, então rotulado como de baixa regulação. Os outros dois grupos caracterizaram-se como intermediários, pelos escores mesclados nas medidas. Com essa metodologia centrada na pessoa, revelaram-se os pontos fortes e fracos de cada indivíduo e de cada grupo.

Numa atividade real de aprendizagem, pensamentos motivacionais são imprescindíveis, como os de orientação a metas de realização. Na pesquisa os autores descobriram que os estudantes apresentaram, sem diferença significativa entre os grupos, um nível moderado de orientação a metas extrínsecas, como ganhar boas notas ou receber aprovação do professor. Todavia, somente o grupo altamente regulado apresentou escores significativamente mais elevados na meta de realização de domínio. Com esta orientação os estudantes visam a desenvolver sua competência e dominar os conteúdos relacionados com o cumprimento da tarefa. A melhor qualidade dessa orientação motivacional está bem documentada na literatura (SENKO; HULLEMAN, 2013), por estar associada a resultados psicológicos como preferência por tarefas desafiadoras, persistência diante de dificuldades e uso de estratégias profundas de aprendizagem.

Desta forma, o estudo contribui para a área da psicologia educacional por lançar nova luz sobre as relações entre diferentes perfis de aprendizagem autorregulada e diferenças qualitativas em motivação. Em outras palavras, o nível de motivação qualitativa dos estudantes para realizarem uma tarefa específica pode explicar alguma variância na aprendizagem autorregulada. Uma vez que autorregulação e motivação são da maior importância para estudantes universitários, os autores do estudo sugerem a implementação de programas de treinamento para os ingressantes em habilidades de estudo, associados a esforços no sentido de desenvolver e manter a orientação motivacional para a meta de realização de domínio. Para finalizar, novos estudos foram propostos com foco em outras atividades específicas de aprendizagem.

Confira abaixo o vídeo no qual Professor Bzuneck apresenta mais detalhes do estudo.

Referências

BEMBENUTTY, H. New directions for self-regulation of learning in postsecondary education. New Directions for Teaching and Learning [online]. 2011, no. 126, pp. 117-124, e-ISSN: 1536-0768 [viewed 8 April 2020]. DOI: 10.1002/tl.450. Avaliable from: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1002/tl.450

SENKO, C. and HULLEMAN, C.S. The role of goal attainment expectancies in achievement goal pursuit. Journal of Educational Psychology [online]. 2013, vol. 105, no. 2, pp. 504-521, e-ISSN: 1939-2176 [viewed 8 April 2020]. DOI: 10.1037/a0031136. Avaliable from: https://psycnet.apa.org/record/2013-05299-001

ZIMMERMAN, B.J. From cognitive modeling to self-regulation: a social cognitive career path. Educational Psychologist, 2013, vol. 48, no. 3, pp. 135-147, e-ISSN: 1532-6985 [viewed 8 April 2020]. DOI: 10.1080/00461520.2013.794676. Avaliable from: https://psycnet.apa.org/record/2013-25567-001

Para ler o artigo, acesse

MERETT, F. N., et. al. University students profiles of self-regulated learning and motivation. Estud. psicol. (Campinas) [online]. 2020, vol. 37, e180126, ISSN 0103-166X [viewed 27 April 2020]. DOI: 10.1590/1982-0275202037e180126. Available from: http://ref.scielo.org/c9w8qx

Links externos

Estudos de Psicologia (Campinas) – ESTPSI: www.scielo.br/estpsi

http://periodicos.puc-campinas.edu.br/seer/index.php/estudos

Sobre José Aloyseo Bzuneck

Doutorado em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo (1980). Pós-Doutorado em Educação, pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP, 2012). Atualmente é professor titular da Universidade Estadual de Londrina. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Ensino e Aprendizagem na Sala de Aula, atuando principalmente nos seguintes temas: motivação e aprendizagem, ensino e motivação, motivação, formação de professores e psicologia educacional.
E-mail: bzuneck@sercomtel.com.br
Lattes: http://lattes.cnpq.br/2005887658677506
……………………………..Facebook: José Aloyseo Bzuneck

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

BZUNECK, J. A. Disciplina e motivação fazem a diferença na aprendizagem autorregulada [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2020 [viewed ]. Available from: https://humanas.blog.scielo.org/blog/2020/05/06/disciplina-e-motivacao-fazem-a-diferenca-na-aprendizagem-autorregulada/

 

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