Desafios na Avaliação e Monitoramento dos Parques Tecnológicos

Patrícia Alencar Silva Mello, Coordenadora Executiva do FGV Cidades, Fundação Getúlio Vargas (FGV/SP), São Paulo (SP), Brasil.

Maurício Aguiar Serra, professor do Instituto de Economia, Universidade de Campinas (UNICAMP), Campinas (SP), Brasil. 

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A busca pelo desenvolvimento econômico regional por meio de ciência, tecnologia e inovação é um objetivo central nas estratégias de muitos Estados. Parques tecnológicos, com sua promessa de inovação e crescimento, têm se tornado uma parte fundamental desses esforços. Recentemente, o artigo Orquestrando Parques Tecnológicos como Política Pública para o Desenvolvimento Econômico Regional: Uma Avaliação do Sistema Paulista de Ambientes de Inovação, publicado na Revista Brasileira de Inovação, lançou luz sobre a intrincada relação entre políticas públicas de ecossistemas regionais de inovação, os parques tecnológicos e o desenvolvimento que geram em suas regiões. Esta pesquisa examinou de perto esse fenômeno no âmbito do Sistema Paulista de Ambientes de Inovação (SPAI), desvendando uma complexa teia de fatores e desafios

Desde o início, essa política pública do governo paulista foi um empreendimento ambicioso, projetado para impulsionar o desenvolvimento de várias cidades por meio da concentração física de atores da academia, governo e empresas interessados no avanço da ciência, tecnologia e inovação. No entanto, muitos detalhes da lógica subjacente a essa política não foram plenamente explorados, o que resultou em incertezas sobre a obtenção de resultados desejados.

Havia muitas dúvidas no momento em que o governo paulista decidiu impulsionar, através da política de parques tecnológicos, o desenvolvimento econômico de alguns municípios. Vários ajustes foram efetuados durante o processo de discussão e formulação dessa política. No entanto, a reflexão sobre a sua lógica não foi contemplada. Isto implicou a negligência de como se poderia garantir o alcance de resultados esperados. Embora os problemas e a solução parecessem claros, a percepção do que essa solução significaria ao final era, no mínimo, bastante difusa.

Este artigo argumenta que a adoção de um modelo lógico de parques pelo SPAI poderia fornecer indicadores mais precisos e orientar as ações necessárias em cada região que conta com parques tecnológicos credenciados na política pública regional. Além disso, esse modelo enfatizaria o objetivo principal da política: gerar desenvolvimento nas regiões, em vez de benefícios exclusivos para atores específicos.

Fotografia de uma sala espaçosa e bem iluminada, decorada com estilo moderno. Inclui várias poltronas nas cores azul-escuro e marrom, acompanhadas por três mesas pequenas de madeira. O teto apresenta um design em preto e branco com algumas formas triangulares em preto, e é adornado com diversos spots de LED. Na parede da sala nota-se uma pintura mural arrojada, repleta de formas geométricas e figuras simbólicas que fazem alusão ao planeta Terra, a uma mão humana, ao espaço e cérebros.

Imagem: FGV Cidades.

O uso do método de process tracing (mapeamento de processos) foi utilizado no desenvolvimento da pesquisa para analisar como a incorporação do modelo lógico de parques tecnológicos no SPAI afeta os resultados da política. Esse método envolve a análise de documentos, entrevistas e outras fontes para compreender os mecanismos causais que explicam o impacto dos parques tecnológicos na região.

Ficou evidente que a lógica dos parques não acompanhou todo o ciclo da política regional. Mecanismos causais foram negligenciados, especialmente nas fases de monitoramento e avaliação. Isso resultou na descontinuidade do SPAI e na falta de participação do governo paulista na governança dos parques tecnológicos credenciados.

Neste contexto, é crucial repensar o desenho institucional dessa política regional para que esteja alinhado com os objetivos originais inicialmente estudados por uma competente equipe que formulou a política pública com o suporte da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). A configuração ideal deve refletir as aspirações de cada região, com metas claras que priorizem os objetivos gerais necessários.

Este estudo avança no entendimento da relação entre parques tecnológicos e desenvolvimento regional, oferecendo ferramentas estratégicas para aprimorar as políticas de parques tecnológicos em nível regional. Conforme cada avaliação periódica, correções de rota podem ser implementadas, economizando recursos municipais e direcionando melhor a política.

Convidamos você a mergulhar mais fundo neste estudo, explorando as nuances dessa relação e as implicações para o desenvolvimento econômico regional. Acesse o artigo completo para obter insights sobre como orquestrar parques tecnológicos como uma política pública eficaz para o crescimento das regiões.

Referências

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Para ler o artigo, acesse

MELLO, P. and SERRA, M. Orquestrando parques tecnológicos como Política Pública para o desenvolvimento econômico regional: uma avaliação do Sistema Paulista de Ambientes de Inovação. Rev. Bras. Inov. [online]. 2023, vol. 22, e023019. https://doi.org/10.20396/rbi.v22i00.8671062. Available from: https://www.scielo.br/j/rbi/a/GPhKprcnVxfyNDkNwvN3phR/  

Links externos

Revista Brasileira de Inovação – SciELO: https://www.scielo.br/j/rbi

Revista Brasileira de Inovação – Site Institucional: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rbi/index

Revista Brasileira de Inovação – Sobre o Periódico: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rbi/about

Projeto FGV Cidades: https://fgvcidades.fgv.br/ 

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

MELLO, P.A.S. and SERRA, M.A. Desafios na Avaliação e Monitoramento dos Parques Tecnológicos [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2024 [viewed ]. Available from: https://humanas.blog.scielo.org/blog/2024/01/31/desafios-na-avaliacao-e-monitoramento-dos-parques-tecnologicos/

 

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