Qual a importância da qualidade de vida e do bem-estar nas organizações?

Janette Brunstein e Silvia Marcia Russi De Domenico, Editoras-chefes da Revista de Administração Mackenzie – RAM, São Paulo, SP, Brasil.

Vitória Batista Santos Silva, Suporte técnico da Revista de Administração Mackenzie – RAM, São Paulo, SP, Brasil.

A definição de bem-estar é um tanto subjetiva, e para o seu estudo podem ser utilizados conceitos relacionados à satisfação, à qualidade de vida, dentre outros. A Revista de Administração Mackenzie – RAM (v. 21, n. 1), reuniu seis artigos referentes a essa temática aplicada ao contexto das organizações, no escopo da chamada “Bem-estar: antecedentes e consequências”. O estudo do bem-estar se justifica pelo impacto que gera para outras variáveis, tais como o desempenho e a produtividade dos trabalhadores, além de trazer efeitos para a saúde do ponto de vista mental e psicológico.

O primeiro artigo da edição, “Bem-estar pessoal nas organizações e qualidade de vida organizacional: o papel mediador da cultura organizacional”, de Paz et al. (2020), analisa de que modo a cultura organizacional impacta no bem-estar nas empresas. A metodologia consistiu na aplicação de um questionário a uma amostra de 1.292 participantes de determinada organização pública, com o objetivo de estabelecer a relação entre qualidade de vida organizacional e bem-estar nas organizações. Os resultados indicaram que a maioria das variáveis testadas no campo da cultura teve poder de mediação estatisticamente significativo, ressaltando a relevância de aspectos culturais das empresas na relação investigada.

O artigo seguinte, “Presenteísmo de professores regentes: bem-estar como estado psicológico crítico na mediação de características do trabalho”, de Pérez-Nebra, Queiroga e Oliveira (2020), investiga o bem-estar e o presenteísmo em sala de aula. O método da pesquisa consistiu na aplicação de um questionário a 2.282 professores de escolas públicas, de variadas idades, localidades, e com predomínio do sexo feminino (71,1%), considerando o Modelo de Características do Trabalho (JCM) (HACKMAN; OLDHAM, 1975, 1976). A aplicação do modelo reforçou a complexidade da explicação da perda do desempenho, presenteísmo, pelo desenho do trabalho, descrevendo quando esta é mediada pelo bem-estar e quando sua relação é direta.

No estudo de Neiva, Macambira e Ribeiro (2020), “Práticas de gestão, bem-estar e comportamento de apoio”, é feita uma análise sobre quais fatores impactam nos comportamentos de apoio e no bem-estar, sob o contexto de gestão da mudança. Para a obtenção dos dados, foi realizada uma pesquisa do tipo survey com 255 funcionários de determinada holding brasileira que conta com 8.000 colaboradores. Foi possível identificar efeitos positivos tanto nos comportamentos de apoio quanto no bem-estar dos trabalhadores, considerando as práticas de gestão da mudança.

No artigo de Oliveira, Gomide Júnior e Poli (2020), “Antecedentes de bem-estar no trabalho: confiança e políticas de gestão de pessoas”, é analisada a influência das políticas de gestão de pessoas e da confiança organizacional sobre bem-estar no trabalho. Para a realização do estudo, foi utilizada uma amostra de 212 trabalhadores formais, com diferentes graus de instrução, e com idades entre 18 e 59 anos, e foram aplicadas equações estruturais. O estudo corrobora o pensamento de que o funcionário alcança sentimentos positivos ao desempenhar sua atividade profissional quando percebe que a organização se preocupa em valorizar sua conduta e sua ética profissional.

Na sequência, o estudo de Novaes et al. (2020), “Antecedentes e consequentes da prosperidade no trabalho: um modelo de mediação moderada”, remonta à questão da tomada da decisão e do suporte social no trabalho, na busca de analisar fatores como a prosperidade e a autoeficácia nas relações de trabalho. O principal instrumento utilizado no estudo foi a Escala de Prosperidade no Trabalho (PORATH et al., 2012), adaptada para o contexto brasileiro por Novaes, Ferreira e Valentini (2015). A metodologia da pesquisa também é de caráter quantitativo, fazendo uso de equações estruturais, e obtendo dados por meio de uma amostra composta por 595 trabalhadores de organizações públicas e privadas da cidade do Rio de Janeiro e de Niterói. Os resultados indicam a mediação da variável prosperidade no trabalho na relação entre participação na tomada de decisão e suporte social, e mostram ainda que a autoeficácia tem papel moderador nas relações das variáveis participação na tomada de decisões e suporte social com prosperidade no trabalho.

Finalmente, o artigo de Pimenta de Devotto, Freitas e Wechsler (2020), “O papel do redesenho do trabalho na promoção do flow e do bem-estar”, tem como objetivo central a análise do papel mediador do flow na relação do redesenho do trabalho e da saúde mental positiva, sendo essa expressa por aspectos de bem-estar do ponto de vista emocional, psicológico e social. É utilizada a abordagem quantitativa, com o uso de equações estruturais, aplicando um questionário sociodemográfico com três escalas. A amostra foi composta por 386 trabalhadores, das mais diversas localidades brasileiras. Após o tratamento dos dados, foi possível verificar que o redesenho das relações de trabalho causa impacto direto sobre a saúde mental positiva dos funcionários. O flow no trabalho mediou a relação da reformulação cognitiva com a saúde mental positiva. Conclui-se que as ações de redesenho do trabalho, primordialmente a reformulação cognitiva, influenciam o bem-estar labora e geral.

Referências

HACKMAN, J. R. and OLDHAM, G. R. Development of the Job Diagnostic Survey. Journal of Applied Psychology, 1975, vol. 60, no. 2, pp. 159-170, ISSN: 0021-9010 [viewed 20 February 2020]. DOI: https://doi.org/10.1037/h0076546. Available from: https://psycnet.apa.org/record/1975-22031-001

HACKMAN, J. R. and OLDHAM, G. R. Motivation through the design of work: test of a theory. Organizational Behavior and Human Performance, 1976, vol. 16, no. 2, pp. 250–279, ISSN: 0030-5073 [viewed 20 february 2020]. DOI: https://doi.org/10.1016/0030-5073(76)90016-7. Available from: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/0030507376900167?via%3Dihub

PORATH, C., et al. Thriving at work: Toward its measurement, construct validation, and theoretical refinement. Journal of Organizational Behavior, 2012, no. 33, pp. 250-275, ISSN: 0894-3796 (print) 1099-1379 (web) [viewed 20 February 2020]. DOI: https://doi.org/10.1002/job.756. Available from: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1002/job.756

NOVAES, V. P.; FERREIRA, M. C. and VALENTINI, F. Evidências de Validade da Escala de Flexibilidade Psicológica no Trabalho em Amostras Brasileiras. Psico, 2015, no. 46, pp. 362-373, ISSN: 1980-8623 [viewed 20 February 2020]. DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1980-8623.2015.3.18679. Available from: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/revistapsico/article/view/18679

Para ler os artigos, acesse

RAM, Rev. Adm. Mackenzie vol.21 no.1 São Paulo  2020

Links externos

RAM. Revista de Administração Mackenzie – RAM: www.scielo.br/ram/

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

BRUNSTEIN, J.; DOMENICO, S. M. R. and SILVA, V. B. S. Qual a importância da qualidade de vida e do bem-estar nas organizações? [online]. SciELO em Perspectiva: Humanas, 2020 [viewed ]. Available from: https://humanas.blog.scielo.org/blog/2020/03/24/qual-a-importancia-da-qualidade-de-vida-e-do-bem-estar-nas-organizacoes/

 

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